Opinião

Gilberto, o cabo de guerra

Deputado bolsonarista se recusa a tomar vacina. Insubordinado, quebra regras da Assembleia Legislativa da Paraíba sob a alegação frouxa de que tem esse direito. Ele sabe que direitos não são absolutos. Sabe que o interesse coletivo é maior que o privado. Ainda assim insiste no choque, na contenda, e o faz porque não sabe fazer política. Resta a miudeza que contamina os trabalhos legislativos. Por causa dele, as sessões presenciais na Casa foram suspensas nesta quarta-feira (6).

O ano de 2018 pariu coisas do tipo. Irracionalidade, idiotia gestadas em anos de retração econômica – fruto de uma crise internacional e de equívocos na política doméstica – aumento do desemprego, derretimento do estado de bem-estar a partir da precarização das relações trabalhistas, escândalos de corrupção. Junto com tudo isso, ressentimento acumulado e turbinado por máquinas de propaganda que alimentaram mentiras, ódio e revolta contra o sistema. Daí, boa coisa não sairia.

Parlamentares como o deputado negacionista em questão se fiam nesse ressentimento. Nenhuma corda, no entanto, aguenta tensão constante. Uma hora ela rompe e os sinais de esgarçamento estão cristalinos. Quem aposta no eterno conflito corre sério risco de desgaste.

E há uma série de razões para isso. Basicamente é preciso compreender que a ruptura e a negação da política não se sustentam como solução para problemas estruturais que resultam de um sistema que produz cada vez mais assimetrias e miséria. A participação expandida e a inclusão das demandas sociais nas decisões do Estado, sim. O fortalecimento das instituições democráticas e o combate ao personalismo e aos populistas que vendem remédios fáceis, também. Resumindo: política boa.

Não há fórmula perfeita para o que está em construção visto que a vida é dinâmica e as sociedades são o retrato disso, mas, certamente, o caminho para o avanço, para o progresso, não passa pelo dissenso e pela desordem. Negar a ciência, o conhecimento, o respeito ao próximo é assumir a ignorância que leva a um processo descivilozatório.

O caos cansa e quem nele aposta deve saber que toda droga, depois do “grande barato”, perde seu efeito. A história não mente. As urnas perdoarão?